Precisava espairecer após um término de relacionamento. Como que num ímpeto para rearrumar a vida e ir ao encontro da paz e de encontro com a ausência, resolveu dirigir por aí. Sempre teve preferência pela Região Serrana, por talvez os locais compreendidos lhe mostrarem que o céu é o limite.
Escolheu Miguel Pereira para ir. Uma amiga havia lhe feito um convite: a festa de 15 anos de sua sobrinha. Ainda que não tivesse um super vínculo com a menina, até mesmo pela distância entre sua moradia e Miguel, aceitou a proposta, porque a ideia era sair de casa de qualquer forma. Aliás, ficar em casa, principalmente em viradas do avesso para se aturar, não era a melhor coisa. A rua a chamava, era sedutora, e com certeza nela encontraria companhia para sua fossa ir embora.
Ponte, Linha Vermelha...ah, rememorar os tempos de faculdade já a fazia se sentir em casa, a relembrar os momentos dentro do 485 lotado indo para Copacabana, onde morava na época, após um dia inteiro de cheiro da Baía de Guanabara que adentrava a sala de aula. Ela sentia o cheiro de podre vindo daquelas águas sem cura por puro desinteresse.
Após longos quilômetros na via que percorre bairros e municípios que nos violentam sem qualquer motivo, Diana chega à BR-116.
O sentimento de liberdade tomou-lhe o corpo e, com a mão para fora da janela, buscava pelo vento a libertinagem gostosa que sentia na juventude e nos corredores da UFRJ; a sensação de estar só, tentando entender porquê nos últimos tempos as adversidades invadiram sua vida e desta não queriam sair; fizeram de sua essência a morada quase que permanente.
A estrada, que recebia o som das paralelas de Belchior, mostrava a Diana as bifurcações que a levavam à dúvida, mas ela se esqueceu de que esta representa um não e o negócio é seguir. Rumar para um universo sem destino para ela mesma ressignificar o destino.
A BR-116 foi ficando para trás. Com ela, as lágrimas, as angústias, mas também as boas lembranças que extasiaram Diana por longos anos e que lhe revelavam a juventude. Agora era hora de pegar Japeri e mudar o nome da estrada: RJ-125, rumo a Miguel, seu lugar de sonhos, e curtir a tal festa de 15 anos. Nada que uma boa cerveja, uns salgados e um hotel velho não pudessem fazer pelo seu ser, tão exaurido das mesmices.