Publicado em 08 de julho de 2023.

Nymeria Ronan

Olá nomes com rostos... meu nome nasce numa esperança de desaparecer e como toda esperança caracterizada de dualidades, ela se perde entre o pulo do bem e mal. Nymeria Ronan encontra seu reflexo, apaixona-se por si mesma, cheia de buracos por onde o vento esconde parasitas. Nascida no interior do nordeste. Publicou seu primeiro livro de poemas faz 3 anos. Alma Grávida - Editora Escaleras.

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Encontra o leão na sala

O barulho da tv enche seu cérebro

folhas pesadas de chuva cantam

Até que...

o que poderia ser chamado de pingos caem sobre ti dominando outras palavras -- tempestade-calma--


O leão na sala descansa seu grito

você não descansa o seu após a queda da tempestade calma

vai no quarto acaba encontrando lá na cama os restos de alguém formados pelo desenho da bagunças dos lençóis


-- se tu fica ao meu lado não vai descansar as lágrimas --

-- se tu ficar ao meu lado o espaço não sobra --

--se tu cogita ficar ao meu lado  abre aquela gaveta ali pode degustar dos meus mistérios --


O leão na sala está alerta

o som da tv de repente aumenta

o jornal anuncia um clima ameno

como pode?


sentindo a tempestade ir fundo

não é qualquer tempestade que vai fundo

dói nos joelhos

dói nas bochechas

dói quando abaixa pra pegar o pato de brinquedo

dói quando entro no chuveiro

dói quando encontra a sombra da igreja


Ficou ao meu lado.

esfomeada esta. toma minha mão

os restos do leão no fundo do poço redesenham o fundo do poço

vamos embora ouvindo sermões

velhinhas que queriam se beijar afogam-se nos tropeços dos seus maridos


Fica ao meu lado para sua mazela

a  fome passou

... 

--Encontrei tua sombra na rua--

Ela murmurava - estou em busca de água quente-

me distanciei. sentei nos pés de uma estátua.

observando de longe o sentimento abdicou em sentir distância.

- não quero morrer essa tarde- onde deixei minhas aspirinas?  


ouvindo na minha cabeça - estou em busca de água quente -


sua sombra quase revela um rosto  ela é muito expressiva usando as mãos que tateiam em desespero o ar envolta

esse ar consumido por duas crianças que acabaram de passar

passaram raivosas

o ar trincou


Não quero mais ouvir nada vindo dos atalhos do teu labirinto.

Uma ambulância passa calmamente... que surpresa


Encostada numa árvore sua sombra entalha desenhos de água borbulhando

- água quente faz minha pele coçar -

os amantes vão assinar seus nomes no elemento que acabou paralisado em sua dissipação


--Encontrei tua sombra na rua quase fui atropelada a tua sombra foi atropelada --

Não posso te ligar há um enxame de abelhas nas minhas palavras  estão quietas  no entanto se o enforcado aparecer...


-- Encontrei tua sombra na rua. apertei minha coxa deixando o desenho das unhas tomarem fôlego no roubo–